No período de 19 a 21 de novembro, ocorreu em Porto Alegre o
Seminário Internacional de Economia Alternativa, uma parceria entre o Vila
Flores e o Goethe-Institut Porto Alegre. O evento teve duração de três dias,
divididos em: debates, painéis de experiências e grupos de trabalhos. Os
debates trouxeram: Joseph Vogl (Alemanha, Humboldt University/Princeton
University), com relações de poder no regime econômico atual e distorções
correlacionadas nos processos de tomada de decisão política com relação à economia;
Ricardo Orzi (Argentina, Universidad Nacional de Luján), com ligações entre
dispositivos de moeda social e a possível formação de um subssistema de
Economia Social e Solidária; e Luiz Inácio Gaiger (Brasil, Unisinos), com a
diversidade das Ciências Econômicas e a economia solidária no Brasil; e a
mediação foi feita por Gláucia Campregher.
Segundo o professor Joseph Vogl, os regimes econômicos vêm sendo
distorcidos ao longo dos últimos 30 anos. “Os mercados financeiros se
caracterizam pela igualdade de seus jogadores, que têm o mesmo acesso à
informação – para garantir a melhor distribuição de oportunidade possível
e a perfeita alocação da riqueza”, diz Vogl. Mas o que ocorre hoje é um
regime de mercado financeiro que se caracteriza pela desigualdade social, ou
seja, a má distribuição da riqueza.
Já Ricardo Orzi aponta para o desenvolvimento de uma nova moeda,
chamada moeda social, e consequentemente um novo sistema de economia, cujo
objetivo é, além do econômico, proporcionar às pessoas a integração, mudança de
paradigmas, satisfação das necessidades e uma nova forma de abundância e
geração de renda. Através da troca de produtos ou serviços, provoca um
movimento em que todos ganham igualitariamente. Para mim, isso parecia
impossível, mas após assistir aos relatos e vídeos que comprovam que é
possível, já consigo perceber uma luz no fim do túnel para os problemas
econômicos do nosso país.
E Luiz Inácio Gaiger, estudioso do assunto, reafirma essa
possibilidade. Além disso, apresenta uma realidade compatível com esse novo
formato econômico que vem ganhando força no Brasil. Para conhecer um pouco mais
sobre o assunto, você pode acessar o SIES (Sistema Nacional de Informações em
Economia Solidária), http://sies.ecosol.org.br, um banco de dados sobre o mapeamento da economia solidária no
Brasil.
Esse evento proporcionou aos participantes debater e conhecer um
pouco mais sobre a influência dos regimes econômicos na sociedade, assim como
sobre a moeda social e a sua influência na economia solidária no Brasil. Além
do que, tornou possível saber como esse tipo de moeda alternativa pode auxiliar
e consequentemente transformar a economia local, através do movimento de trocas
solidárias, que vem crescendo nas regiões sul e norte do país. E atualmente já
existem sete bancos sociais em todo o Brasil.










