É
uma obra de Fabrício Carpinejar, já faz algum tempo que venho
atrás dessa obra.
Geralmente o livro chama a atenção pela sinopse ou pela crítica. Mas nesse,
o título foi mais precioso que qualquer crítica.
Me ajude a chorar, estranho, né?
Por que alguém compraria um livro com esse
nome? Pois é,
foi a pergunta que fiz. Então comprei!
E, para ser sincera, foi uma das melhores
compras que fiz na Feira do Livro
de Porto Alegre.
Há
um tempo, eu
havia lido uma das crônicas do Carpinejar, na Zero Hora dominical, fiquei encantada
com o texto. Fez-me refletir sobre várias
situações, mas uma em especial, a velhice de nossos pais. Sim, porque todos nós
passaremos por isso ou
a grande maioria.
O
título de uma das crônicas, Pai de meu pai,
segundo ele, refere-se a quando
o filho se torna pai de seu pai. Também pode ser interpretado no feminino. Já que a situação ocorre nos dois
gêneros. E, hoje, parte desse
texto foi muito significativa para
mim. “E
nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que
somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa
vida para morrer em paz. Todo filho é pai da morte de seu pai. Ou, quem sabe, a
velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez. Nosso último
ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de
décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta. Feliz do filho que é pai
de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e
não se despede um pouco por dia”.
Hoje,
sinto na pele esse
trecho, minha parceira de setenta e cinco anos, minha mãe, á
qual eu devolvo os cuidados, o amor e a amizade que me foram oferecidos
durante décadas. No entanto, nem todos terão a oportunidade de
zelar pelo pai ou pela mãe, infelizmente existem situações em que isso não é possível: como a morte de um filho. Que impede essa
retribuição carinhosa e fraternal, de apenas colocar o rosto de seu pai no
peito ou simplesmente sussurrar no seu ouvido, estou aqui, pai,
estou aqui! Hoje, em especial, tenho um amigo que
infelizmente não ouvirá mais o som da voz do seu filho e uma mãe
que chorará até o final de seus dias, uma perda que não tem explicação. Porque
a conformidade para a morte não existe! Esses
pais não ouvirão no fim de suas vidas que seu filho está ali. Será apenas um vazio,
uma tristeza sem fim...
Contudo,
a vida segue, assim como o sol nasce todos os dias e ilumina as nossas vidas,
trazendo a renovação. Além disso, ler Fabrício Carpinejar é inspirador,
instigante, reflexivo para o que realmente importa nesta vida. Assim
penso eu. Talvez esse livro
mude um pouco a sua percepção de vida, e você
reconheça, como diz Carpinejar, que
o que um pai ou uma mãe deseja
apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali.
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