sexta-feira, 15 de abril de 2016

É triste bater na mesma tecla, mas a saúde pública está sofrendo

Existem assuntos que não querem calar. “A saúde é um direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doenças e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”, segundo o artigo 196 da Constituição Federal. No entanto, a saúde pública clama constantemente por ajuda. Troca presidente, governo, prefeito, e a culpa é sempre da escassez de recursos. A CPMF foi inserida para melhorar a situação da saúde e não resolveu. Postos de saúde em situações precárias, hospitais que nunca foram inaugurados nem acabados. Além disso, neste ano de 2016, surgiram as epidemias.

Em 1997, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso lançou a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), com o intuito de arrecadar verbas para a saúde pública, com previsão de duração de quatro anos. O imposto inicialmente foi de 0,25% sobre cada movimentação bancária. Em 2002, a alíquota passaria a 0,38%. Porém, a lei vigorou até 2007. E hoje, a situação continua a mesma, e querem reativar a contribuição com o objetivo de tapar o rombo da previdência social, cobrando 0,2% sobre cada movimentação financeira. E mais uma vez, o povo paga uma conta que nunca tem fim.


Mas não é só isso que preocupa, em pleno século XXI o mosquito é o grande vilão de uma epidemia nacional, e em alguns casos até internacional, como a Zyka. Além da Dengue e da Chikungunya. Um inseto aparentemente inofensivo está sem controle devido à resistência da população em colocar em prática ações de combate ao mosquito. Como se não bastasse, no Rio Grande do Sul surgem a caxumba e a gripe A, que já fez cinco vítimas no estado.

Então, fico me perguntando por que as coisas não mudam? O sistema tem uma estrutura física precária e ineficiente, faltam materiais e recursos humanos, não existe manutenção preventiva em prédios, e algumas vezes os profissionais são obrigados a improvisar para atenderem seus pacientes. Entra governo, sai governo, e não muda absolutamente nada.

Hoje, a população brasileira está à mercê da incerteza do futuro. A música da cantora Simone retrata bem a situação do povo brasileiro. “Como será o amanhã, responda quem puder, o que irá me acontecer, o meu destino será como Deus quiser.” Seria engraçado se não fosse triste. E a população brasileira está assim, na insegurança, sem garantias de dias melhores. Mas ainda com esperança de mudanças positivas. De um sistema de saúde que lhe conceda pelo menos o básico. Conforme o artigo 196 da Constituição Federal.

Um comentário:

  1. É sempre uma ferida aberta falar sobre a saúde...! Quão importante vozes e letras como as tuas, desnudando com coragem as mazelas que nos assolam...! Obrigado, escritora!!!!

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